SONETO DE SETEMBRO
Assim vivemos sem viver, na calma
do tempo que escoa em dias ermos,
tentando achar no mundo o que perdemos,
dentro de nós mesmos, alma com alma.
Tudo o que iremos fazer é descrever
a dor de amar o que nem conhecemos,
e nos versos tristes que compomos, ter
a paz fugaz de quem nós já fomos.
Ó meu amor, a vida é tão pequena
para tanta saudade e tanto pranto,
que a própria solidão já nos condena.
Mas se este sonho é triste, eu canto e canto,
pois só na poesia a dor se aparta
e o pranto vira música na harpa.
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