terça-feira, 1 de setembro de 2026

SONETO DE SETEMBRO

 SONETO DE SETEMBRO

Assim vivemos sem viver, na calma

do tempo que escoa em dias ermos,

tentando achar no mundo o que perdemos,

dentro de nós mesmos, alma com alma.


Tudo o que iremos fazer é descrever

a dor de amar o que nem conhecemos,

e nos versos tristes que compomos, ter

a paz fugaz de quem nós já fomos.


Ó meu amor, a vida é tão pequena

para tanta saudade e tanto pranto,

que a própria solidão já nos condena.


Mas se este sonho é triste, eu canto e canto,

pois só na poesia a dor se aparta

e o pranto vira música na harpa.

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