domingo, 29 de março de 2026

Vamos, todos, ao amor...

 Olho para as avenidas de neon, onde almas engarrafadas buscam o néctar do êxtase

Entre o barulho das máquinas e o cheiro de ozônio, onde os anjos perderam suas asas

nas engrenagens do tempo,

Eu grito para as janelas fechadas da consciência, para os executivos de terno cinza

que mastigam seus próprios sonhos de plástico:


Vamos, todos, ao amor,

Não o amor de vitrine, não o amor dos dogmas enferrujados,

Mas o amor selvagem que arde na garganta dos desajustados,

O amor que lambe as cicatrizes do mundo e faz a luz brilhar nas frestas dos cortiços,

O amor que é um relâmpago no meio do caos,

O amor que nos torna sagrados, aqui, agora,

Na poeira e na glória do nosso próprio fim.

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