domingo, 19 de outubro de 2025

Soneto à Sombra Real da Formosura


Essa pele que o Sol, com arte suprema, 

Não quis ferir, mas sim beijar de cor,

 É mais que bronze, ou que precioso tema, 

Para o meu olho, em busca de fulgor.


Não é sombra que a luz finde ou desuna,

 Mas antes luz que em si se faz mais forte;

 Ó Nívea Noite, em que se vence a Morte 

A ser tão bela, sem auxílio da Lua.


Se o claro dia se desculpa e some

, Teu negrume é mais firme no mistério,

 E no teu rosto a Graça o céu consome.


És deusa escura, em corpo que é império;

 Pois quem em ti o Etíope assume o nome, 

Dá inveja à rosa e a todo o hemisfério.

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