I
A lua, navalha fria, abre a garganta do jasmim. A flor dorme, mas seu sangue mancha o branco do cetim.
No poço, a água estancada espelha um cavalo sem ginete. Ay, a raiz negra e cansada que não viu o sol da semente.
II
Sobre as pétalas de seda, a sombra de um cigano triste. Busca a flor da boca que se nega, a estrela que no sul resiste.
O cravo, com sua lança, fere a mão que o quis colher. É a paixão sem esperança, o beijo que não há de ser.
III
Verde, verde, flor da solidão. Onde o grito se faz silêncio. O teu perfume é a canção do amor que teve um começo e finda onde a terra é escura, sob a luz metálica da loucura.
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
A Flor
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