Na escuridão queima,
um raio de ébano entre meus lábios,
o mel escorre, lunar,
contraste puro no céu da boca.
Seu cheiro é terra molhada,
sal e mistério,
o sabor do mar revolto,
ondas que quebram em meu corpo.
Minha língua desenha
o mapa do teu gemido,
cada veia, um rio,
cada pulsação, um segredo.
O branco irrompe,
neve no asfalto quente,
mancha minha pele,
assinatura fugaz do prazer.
Depois, o silêncio—
só o eco do teu nome,
um suspiro preso entre dentes,
o mundo devagar se refazendo.
E eu, ainda de joelhos,
recolho os cacos da luz,
o preto e o branco dançando,
até que a lua volte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário