quarta-feira, 14 de outubro de 2026

A Balada do Vendedor de Varinhas


Nas vilas antigas de Perelandra,

Onde a névoa dança e o vento abranda,

Caminhava um homem de passo macio,

Olhos azuis como o luar sobre o rio.


Com fios prateados na vasta cabeleira,

Tratava sua sina de nobre maneira:

Diziam as lendas de voz em sussurro

Que era ele o herdeiro de um reino futuro,

Linhagem direta dos Magos do Oeste,

Dotado de força que a poucos se veste.


Poder sem medida trazia guardado,

Mas sob os retalhos de um velho casaco.

Pois no forro escuro, em nichos de lã,

Dormia o segredo de cada manhã:

Varinhas de teixo, de sabugueiro e carvalho,

Com núcleos de penas e teias de orvalho.


Pois em Perelandra, terra de encanto,

Sem o condutor de seu próprio canto,

Nenhum bruxo vive, nenhum feitiço ergue a mão,

Sem que a varinha lhe meça o coração.


Sem nome nos livros, sem glória ou altar,

Sua arte era apenas unir e casar

A alma do bruxo à madeira sagrada,

Pois a varinha escolhe a mão destinadora da jornada.


Mas nas sombras dos Picos, onde a luz não tem vez,

Onde a sorte dos homens se curva de uma vez,

A Fortaleza das Trevas ergueu seu portão,

E Valkir estendeu sua gélida mão.


Ali tombou o mestre do manto prateado,

Seu nome perdido, seu passo apagado.

Mas em Perelandra, se a noite declina,

Qualquer varinha acesa lembrará sua sina.

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