Nas vilas antigas de Perelandra,
Onde a névoa dança e o vento abranda,
Caminhava um homem de passo macio,
Olhos azuis como o luar sobre o rio.
Com fios prateados na vasta cabeleira,
Tratava sua sina de nobre maneira:
Diziam as lendas de voz em sussurro
Que era ele o herdeiro de um reino futuro,
Linhagem direta dos Magos do Oeste,
Dotado de força que a poucos se veste.
Poder sem medida trazia guardado,
Mas sob os retalhos de um velho casaco.
Pois no forro escuro, em nichos de lã,
Dormia o segredo de cada manhã:
Varinhas de teixo, de sabugueiro e carvalho,
Com núcleos de penas e teias de orvalho.
Pois em Perelandra, terra de encanto,
Sem o condutor de seu próprio canto,
Nenhum bruxo vive, nenhum feitiço ergue a mão,
Sem que a varinha lhe meça o coração.
Sem nome nos livros, sem glória ou altar,
Sua arte era apenas unir e casar
A alma do bruxo à madeira sagrada,
Pois a varinha escolhe a mão destinadora da jornada.
Mas nas sombras dos Picos, onde a luz não tem vez,
Onde a sorte dos homens se curva de uma vez,
A Fortaleza das Trevas ergueu seu portão,
E Valkir estendeu sua gélida mão.
Ali tombou o mestre do manto prateado,
Seu nome perdido, seu passo apagado.
Mas em Perelandra, se a noite declina,
Qualquer varinha acesa lembrará sua sina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário