Anno Domini 1387, no Mosteiro de São Petrus, em terras Brasileiras
"Na lua branca e crescente, entre a constelação do Dragão e a imagem do abençoado São Jorge, o Homem da Lua bebe o vinho, sorri e canta ao lado do ratinho espadachim."
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Nesta vigília de profunda quietude, enquanto os irmãos repousam nos dormitórios e o vento do mar uiva contra os vitrais de nossa abadia, voltei os olhos para o firmamento de Deus.
Lá no alto, na lua branca e crescente, onde o olhar do Todo-Poderoso traça os contornos das estrelas entre a constelação do nefasto Dragão e o resplendor de São Jorge, nosso protetor, presenciei uma visão extraordinária — que a princípio julguei ser tentação ou fantasia do cansaço.
Pelas frestas do telescópio que nos veio do Oriente, vi que o célebre Homem da Lua bebe o vinho de uma taça reluzente, sorri com benevolência sobre o mundo dos homens e canta cânticos antigos ao lado de um pequenino ratinho espadachim, uma diminuta e destemida criatura de Deus armada com uma agulha de prata como espada.
Que o Senhor guarde esta humilde crônica, pois nem mesmo os mistérios mais singulares do céu deixam de proclamar a alegria da Criação Divina.
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