(Carolina Falkholt)
Carolina pinta o corpo da cidade
com a língua da cor e da coragem.
Suas mãos são vulcões de verniz,
sua tinta — saliva e trovão.
O muro respira,
o concreto tem pulsação,
a rua se curva diante do seu traço
como um homem diante da invenção.
Carolina desenha mulheres que olham,
e o olhar delas olha de volta.
Não há pudor, nem perdão,
há apenas a beleza nua
gritando nos tijolos.
Eu vejo — e o mundo se move.
É uma canção pintada,
um samba ácido de aerosol,
um beijo no aço e na cal.
Carolina, tu és o muro e a luz,
a obscenidade e o altar,
a cor que explode o patriarcado
com perfume de mar.
E eu, tão pequeno diante da tua parede,
ouço o som do teu desenho
e canto:
é arte, é carne, é Carolina.
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