segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Carolina nas paredes

(Carolina Falkholt)


Carolina pinta o corpo da cidade

com a língua da cor e da coragem.

Suas mãos são vulcões de verniz,

sua tinta — saliva e trovão.


O muro respira,

o concreto tem pulsação,

a rua se curva diante do seu traço

como um homem diante da invenção.


Carolina desenha mulheres que olham,

e o olhar delas olha de volta.

Não há pudor, nem perdão,

há apenas a beleza nua

gritando nos tijolos.


Eu vejo — e o mundo se move.

É uma canção pintada,

um samba ácido de aerosol,

um beijo no aço e na cal.


Carolina, tu és o muro e a luz,

a obscenidade e o altar,

a cor que explode o patriarcado

com perfume de mar.


E eu, tão pequeno diante da tua parede,

ouço o som do teu desenho

e canto:

é arte, é carne, é Carolina.


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