O átomo é um segredo que não aceita o silêncio.
Vimos a luz que não nasce do sol,
aquela que desfolha o ferro como se fosse seda,
e agora o mundo — este vidro soprado pelo acaso —
treme sob o peso de nossa própria curiosidade.
Não são as estrelas que falham,
é o vácuo entre a nossa mão e o freio.
Fragmentamos o núcleo para unir o medo,
e o que era sólido se dissolve em probabilidade:
A Matéria: Uma promessa traída pela fissão.
O Tempo: Um cronômetro cujo zero já esquecemos.
A Ética: Um rastro de fumaça num deserto de areia vitrificada.
A fórmula era bela no giz branco da lousa,
limpa como um verso de Dante ou uma linha de Gita.
Mas a simetria se rompe no impacto.
O mundo não é mais um palco, é um laboratório
onde os observadores queimam junto com a prova.
O céu tornou-se um sudário de pó fino,
e a fragilidade não está no impacto, mas na espera.
Somos as crianças que brincam com o raio,
contando os segundos entre o clarão e o trovão,
sem saber que, nesta escala de desolação,
o som nunca alcançará quem já se tornou luz.
"Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos."
Mas a morte é um evento. O que criamos é uma condição.
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