segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Cálculo do Fim

O átomo é um segredo que não aceita o silêncio.

Vimos a luz que não nasce do sol,

aquela que desfolha o ferro como se fosse seda,

e agora o mundo — este vidro soprado pelo acaso —

treme sob o peso de nossa própria curiosidade.

Não são as estrelas que falham,

é o vácuo entre a nossa mão e o freio.

Fragmentamos o núcleo para unir o medo,

e o que era sólido se dissolve em probabilidade:


A Matéria: Uma promessa traída pela fissão.

O Tempo: Um cronômetro cujo zero já esquecemos.

A Ética: Um rastro de fumaça num deserto de areia vitrificada.


A fórmula era bela no giz branco da lousa,

limpa como um verso de Dante ou uma linha de Gita.

Mas a simetria se rompe no impacto.

O mundo não é mais um palco, é um laboratório

onde os observadores queimam junto com a prova.

O céu tornou-se um sudário de pó fino,

e a fragilidade não está no impacto, mas na espera.

Somos as crianças que brincam com o raio,

contando os segundos entre o clarão e o trovão,

sem saber que, nesta escala de desolação,

o som nunca alcançará quem já se tornou luz.


"Agora eu me tornei a Morte, a destruidora de mundos."

Mas a morte é um evento. O que criamos é uma condição.

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