segunda-feira, 6 de abril de 2026

O Arabesco no Barro


Do Oriente veio o sopro e a memória,

Nas malas, o cedro e o sol de outrora,

Cruzaram o mar, mudando a própria história,

Pousando os pés onde a canoa mora.


O mascate, de voz firme e sedutora,

Abriu o mundo em fardos de vitória,

Fez da selva e da rua sua aurora,

Tecendo o tempo em fios de glória.


O quibe e o azeite à mesa brasileira,

Misturam-se ao cheiro da mangueira,

Num abraço de rio e de deserto.


O árabe aqui plantou sua raiz,

Fez-se alma de um povo mais feliz,

Com o coração no Longe e o braço no Perto.

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