Porque então darei uma linguagem pura aos povos —
diz o sopro no pó,
diz a cinza que ainda lembra o nome.
As bocas queimadas aprenderão o som da origem,
e cada sílaba será lágrima que volta à fonte.
As línguas se desprenderão da carne,
flutuarão como anjos sem país,
procurando o ouvido de Deus.
Porque então — oh então —
as vozes não trairão mais o silêncio.
O vento, o sal, o sangue
dirão apenas: um.
E aqueles que vagaram entre ruínas
recolherão as letras dispersas,
as unir-se-ão em oração.
Servirão ao mesmo sopro,
ao mesmo Nome
que se escreve no coração do ar.
E a linguagem pura
não será som —
será luz.
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