Soneto do Velho e a China Sonhada
para lin yutang, o mestre!
Por anos guardou num canto do caderno
Um mapa da China, em traço desbotado.
Dizia: “Irei, se o tempo for moderno —
Ou se o meu corpo já for do passado.”
Na noite final, sonhou Xian em bruma,
E um templo de jade em meio ao nevoeiro.
Na rua, meninos soltavam espuma,
E um monge o chamava de companheiro.
Mas acordou com o estalo da lareira,
A brasa acesa, o mundo se apagando.
Sorriu: a viagem era verdadeira.
Morreu sem som, com os olhos brilhando —
Pois viu, em sonho, a terra estrangeira
E nela pisou, por um instante, andando.
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