Soneto do Homem-Sapo e a Cidade Ardente
para Kenzaburo Oe com carinho!
No dia em que o sol caiu sobre a terra,
Seu corpo queimou — e o tempo se partiu.
Da carne explodida, brotou nova guerra:
Um sapo que anda, mas nunca sorriu.
Nos trilhos do norte, vê sombras sem nome,
Em trens infinitos, sem rumo ou estação.
Os mortos o olham, mas ninguém o some —
São só passageiros da mesma explosão.
E em cada charco, um vaga-lume dança,
Brilhando o passado que ele já não crê.
Sonhou que era homem. Sonhou que era esperança.
Mas a noite é densa e não diz por quê.
Segue, entre ruínas, sem nunca parar:
Talvez a verdade esteja no olhar.
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