Schopenhauer em Frankfurt
Vi um homem sentado entre cortinas grossas,
como quem renuncia ao teatro da luz.
Chamava-se Arthur, e disse que as coisas
são véus da vontade — e a vontade, uma cruz.
Negou o mundo sem ira, como um velho
que percebe ser sonho o próprio lar.
Falava em Maya, e em Kant, e no espelho
que reflete o abismo sem parar.
Seu cão dormia aos pés, mudo e atento,
como se soubesse o peso de existir.
E ele, o filósofo, feito de vento,
escrevia não para viver — mas fugir.
Pois tudo é dor, pensava. E ainda assim,
havia beleza no fim.
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