quarta-feira, 4 de junho de 2025

Soneto do Valor Atual

 Soneto do Valor Atual


Outrora se prezava a honra discreta,
O nome limpo, o gesto cavalheiro;
Hoje, o que brilha — e a todos inquieta —
É o tilintar modesto do dinheiro.

O amor? Um luxo. A ética? Uma afetação.
Virtude, uma moeda já sem curso.
Quem tem tostões tem fé, tem salvação,
E quem não tem... que aceite o próprio incurso.

Julga-se um homem não pelo que é,
Mas pelo saldo exato que o sustenta.
O vício é nobre, se o bolso estiver em pé.

E o santo, se for pobre, ninguém aguenta.
Neste teatro vil, de pompa e escárnio,
O ouro é Deus — o resto é comentário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário