Soneto do Valor Atual
Outrora se prezava a honra discreta,
O nome limpo, o gesto cavalheiro;
Hoje, o que brilha — e a todos inquieta —
É o tilintar modesto do dinheiro.
O amor? Um luxo. A ética? Uma afetação.
Virtude, uma moeda já sem curso.
Quem tem tostões tem fé, tem salvação,
E quem não tem... que aceite o próprio incurso.
Julga-se um homem não pelo que é,
Mas pelo saldo exato que o sustenta.
O vício é nobre, se o bolso estiver em pé.
E o santo, se for pobre, ninguém aguenta.
Neste teatro vil, de pompa e escárnio,
O ouro é Deus — o resto é comentário.
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