quarta-feira, 4 de junho de 2025

Soneto aos Escritores de Prateleira

 Soneto aos Escritores de Prateleira

à moda  Bolaño, com sangue chileno

Publicam aos gritos, de peito empinado,
Com selfies, discursos e um copo na mão.
A alma? Em oferta, num riso forjado,
Escrevem com tinta de promoção.

Falam de dores que nunca tiveram,
De povos, de lutas, de fomes alheias.
São mártires limpos, que nunca morreram,
Mas vivem de bolsas e frases alheias.

Cagam metáforas por encomenda,
Com pressa, com pose, com pós-graduação.
A arte, coitada, geme na tenda,

Enquanto eles gozam do próximo salão.
E eu — que os leio — entre riso e desdém,
Prefiro um cão sujo a um desses também.

Nenhum comentário:

Postar um comentário