(à maneira de Marianne Moore)
A guerra —
como um lagarto em chamas,
encolhido no calor do deserto —
não raciocina.
Ela se esconde
atrás de cláusulas, tanques e
torres de observação:
Israel, Iraque —
nomes que caem como pedras
na boca dos noticiários.
Cada um com sua
legítima
autodefesa, cada um
com sua
raiva antiga,
revestida de satélite,
estampada em aço americano.
"Precisamos nos proteger"
— é o bordado nos uniformes —
mas de quem? de quê?
Do passado,
que insiste em não morrer?
Das promessas de paz
que se desfazem
como manuscritos ao vento?
É fácil
falar em segurança
quando não se enterram filhos.
É fácil
invocar o eterno
quando a eternidade
é um contrato de armas
assinado a seis mãos
com sangue emprestado.
O que está em disputa
não é só o petróleo, ou
a terra prometida:
é o direito de narrar
o próprio sofrimento
em voz mais alta.
E a verdade —
cercada por arame farpado,
por drones e censuras —
morre calada,
ou é vendida
aos que pagam melhor.
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