segunda-feira, 23 de junho de 2025

Sextina do País Tropical

 



As crianças jogam bola entre a pobreza,
sorrindo, mesmo ao lado do esgoto e da violência.
Na esquina, o camelô canta com beleza
a falsidade das marcas — sonho em meio à corrupção.
Na feira, o povo ri, mesmo sabendo da tristeza
de viver nesse vaivém que é o Brasil.

As cores gritam em toda esquina do Brasil,
verde, amarelo e sangue no chão da pobreza.
Mas quem ouve, senão os surdos da tristeza,
os mudos da dor, os cegos da violência?
Cada beco tem seus reis, feitos de corrupção,
coroando com lama a mais profunda beleza.

E que beleza, meu Deus, esse país chamado Brasil,
com seu povo dançando em meio à corrupção,
fazendo do samba um grito contra a pobreza,
transformando lágrimas em canto e violência
em carnaval — um espetáculo contra a tristeza
que a História teima em contar com gosto.

Mesmo assim, a tristeza pinta as paredes do Brasil,
como se fosse parte da paleta da beleza,
misturada ao suor, ao sal, à violência,
às promessas vazias da eterna corrupção.
E o povo se embriaga, fugindo da pobreza,
dançando descalço nos salões do nada.

Mas a pobreza é real, e morde. E a tristeza,
um cão fiel que uiva pelas ruas do Brasil.
O povo, de tanto apanhar, vê até a beleza
nos dentes podres do poder — essa corrupção
de alma que não sangra, mas espalha violência,
como bênção dada no altar da injustiça.

E no fim, resta a dança entre a violência e a beleza,
um passo para a pobreza, dois giros na corrupção,
até que a música cesse — e caia a noite no Brasil com tristeza.


Envoi

Mas ainda há beleza: uma flor no asfalto do Brasil,
onde a tristeza é cor, a pobreza é dança, a violência é riso —
e até a corrupção se rende ao cheiro doce da esperança.

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