sábado, 16 de fevereiro de 2019
A fé
Nunca sabemos aonde esse caminho vai dar. Apenas sabemos. E esse saber as vezes assusta, as vezes agrada. De vez em quando pode dar um ataque de ansiedade no coração, como se uma bom a feita de rosas perfumadas nos enchesse o peito. Seria o amor batendo na porta. Se eu não abrisse com toda certeza outra pessoa iria abrir. E se é tarde para nós sairmos, enquanto a chuva pinga suas goticulas lá fora?
Enquanto os telhados vão ouvindo as canções dos grilos, nós todos andamos cegos por esse planeta redondo e profundo chamado Inspiração. E mesmo assim podemos trupicar em uma porta aberta. Do lado de fora uma linda lua, uma saudade, um beijo e uma caveira. Sentados nós podemos imaginar as guerras nos dias difíceis. E se não fosse o amor, o que teríamos feito? Só recordo do homem sentado na grécia, escrevendo na parede dos seus olhos: combati o bom combate e acabei minha carreira. Guardei a fé.
Parábola
Um velho chamado Lǎo péngyǒu, tinha uma pequena propriedade na montanha.
Aconteceu um dia que um de seus cavalos escapou e os vizinhos vieram para expressar suas condolências.
No entanto, o velho respondeu:
- Quem sabe se isso foi uma desgraça!
E é aqui que, vários dias depois, o cavalo retornou e trouxe consigo toda uma manada de cavalos marrons. Mais uma vez os vizinhos apareceram e felicitaram-no pela sua boa sorte.
Mas o velho da montanha disse-lhes:
-Quem sabe se foi um evento de sorte!
Como eles tinham tantos cavalos, o filho do velho levou-os para montá-los, mas um dia ele caiu e quebrou a perna. Novamente os vizinhos foram oferecer suas condolências e novamente o velho respondeu:
- Quem sabe se isso foi uma desgraça!
Os comissários dos "Reis do Oeste" apareceram na montanha no ano seguinte.
Eles recrutaram jovens fortes para mensageiros do imperador e para transportar sua liteira. O filho do velho, que ainda estava impedido da perna, não foi levado embora.
Lǎo péngyǒu sorriu.
A história do viajante e o seu sonho (crônica)
Dedico esse conto para Paula, com todo amor e devoção...
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Vinicius de Moraes, poeta carioca
Trabalhou tanto que o sono o rendeu certa noite debaixo de uma figueira de seu jardim, e viu no sono um homem encharcado que tirou uma moeda de ouro da boca e disse: "Tua fortuna está na Pérsia, em Isfarrã; vai buscá-la".
De madrugada, acordou, empreendeu a longa viagem e enfrentou os perigos dos desertos, das naus, dos piratas, dos idólatras, dos rios, das feras e dos homens. Chegou por fim a Isfarrã, mas no recinto dessa cidade a noite o surpreendeu, e ele parou para dormir no pátio de uma mesquita.
Havia, junto à mesquita, uma casa, e por decreto de Deus Todo-Poderoso, uma quadrilha de ladrões atravessou a mesquita e se meteu na casa, e as pessoas que dormiam acordaram com o barulho dos ladrões e pediram socorro. Os vizinhos também gritaram, até que o capitão dos vigias daquele distrito acudiu com seus homens, e os bandidos fugiram pelo terraço.
O capitão fez revistar a mesquita, e nela deram com o homem do Cairo e lhe infringiram tantos e tais açoites com varas de bambu que ele esteve perto da morte. No segundo dia, recobrou os sentidos no cárcere. O capitão mandou buscá-lo e disse: "Quem és, e qual a tua pátria?" O outro declarou: "Sou da cidade famosa do Cairo e meu nome é Mohamed El Magrebi". O capitão perguntou: "O que te trouxe à Pérsia?" O outro optou pela verdade e lhe disse: "Um homem ordenou-me, em sonho, que viesse a Isfarrã, porque aí estava minha fortuna. Já estou em Isfarrã e vejo que essa fortuna prometida devem ser os açoites que tão generosamente me deste".
Ante semelhantes palavras, o capitão riu até mostrar os dentes do siso e acabou por lhe dizer: "Homem desatinado e crédulo, três vezes sonhei eu com uma casa na cidade do Cairo, em cujo fundo há um jardim, e no jardim um relógio de sol e depois do relógio de sol, uma figueira, e após a figueira uma fonte, e sob a fonte um tesouro. Não dei o menor crédito a essa mentira. Tu, no entanto, produto de mula com qualquer demônio, tens errado de cidade em cidade, na fé única de teu sonho. Que eu não volte a te ver em Isfarrã. Toma estas moedas e vai-te".
O homem pegou-as e regressou à pátria. Debaixo da fonte de seu jardim (que era a do sonho do capitão) desenterrou o tesouro. Assim Deus lhe deu bênçãos e o recompensou e o exaltou. Deus é o Generoso, o Oculto.
Contam...
“Allahur Akbar! Allahur Akbar!
Deus criou a mulher e junto com ela criou a fantasia.
E foi assim que um dia a Verdade resolveu conhecer um palácio por dentro. Mas, não escolheu um palácio qualquer, havia de ser o mais suntuoso de todos. Seria aquele em que vivia o grande sultão Haroun Al-Raschid. Resolveu, então, vestir seu corpo apenas com um véu claro e transparente e foi bater à porta do magnífico palácio. O guarda ao ver aquela mulher deslumbrante, quase nua, ficou desconcertado. E depois de um tempo, perguntou quem ela era. A Verdade, com a voz firme, respondeu:
– Eu sou a Verdade e quero falar com o seu amo e senhor, o sultão Haroun Al-Raschid.
O guarda apressou-se em falar com o grão-vizir. Inclinou-se humilde e falou:
– Senhor, uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar com nosso soberano.
– Quem é essa mulher? Perguntou o grão-vizir curioso.
– Ela disse que seu nome é Verdade! – respondeu o guarda.
O grão-vizir arregalou os olhos e proferiu:
– O quê? A Verdade quer entrar neste palácio? Não! Nunca! O que seria de mim? O que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? Estaríamos perdidos! Mande essa mulher embora imediatamente. Diga-lhe que uma mulher nua não entra aqui!
O guarda voltou e transmitiu à Verdade a resposta de seu superior. E a Verdade, muito triste, teve que ir embora.
Acontece que…
Deus criou a mulher e junto com ela criou a persistência.A Verdade não se deu por vencida, continuou a alimentar o propósito de visitar o palácio. E havia de ser o palácio em que morava o sultão Haroun Al-Raschid. Ela procurou roupas para vestir, cobriu-se dos pés à cabeça com peles grosseiras e malcheirosas e deixou somente o rosto de fora e foi para o palácio do sultão.
Quando o chefe da guarda viu pelos portões aquela mulher horrivelmente vestida, perguntou qual o seu nome e o que ela queria.
Em tom severo, ela respondeu:
– Sou a Acusação e exijo ter uma audiência com o senhor deste palácio.
O guarda, zeloso pela segurança do palácio, foi até o grão-vizir, ajoelhou-se diante dele e falou:
– Senhor, uma mulher desconhecida com o corpo envolto em vestes malcheirosas ordena falar com nosso sultão.
– Como ela se chama? – perguntou o grão-vizir.
– O nome dela é Acusação, Excelência!
Aterrorizado e tremendo dos pés à cabeça, o grão-vizir falou:
– Nem pensar! Nunca! Já imaginou o que seria de mim? O que seria de nós, se a Acusação entrasse aqui? Estaríamos todos perdidos, sem exceção! Mande essa mulher embora! Diga-lhe que com essas vestes grosseiras, rudes e pobres não pode falar com o Califa, nosso amo e senhor.
E assim, outra vez a Verdade foi embora. Virou as costas e se foi tristemente pelo caminho. Porém, ainda não se deu por vencida.
E isso porque…
Deus criou a Mulher e junto com ela criou o capricho.
A Verdade andou pelo mundo à procura dos mais belos trajes com veludos, brocados, bordados com fios das cores do arco-íris. Enfeitou-se com magníficos colares de pedras preciosas, anéis, brincos e pulseiras, perfumou-se com essência de rosas e envolveu seu rosto em um manto diáfano bordado de fios de seda dourado e prateado e voltou, é claro, ao palácio do sultão Haroun Al-Raschid.
Quando viu aquela mulher encantadora, mais linda do que a Lua, o chefe da guarda perguntou quem era. E em tom meigo e mavioso, ela respondeu:
– Eu sou a Fábula! E gostaria, se possível, de encontrar-me com o sultão deste palácio.
O chefe da guarda correu para falar com o grão-vizir, esqueceu-se até de ajoelhar diante dele e disse:
– Senhor, lá fora está uma mulher tão linda, mas tão linda que mais parece uma rainha. E deseja falar com nosso sultão.
Os olhos do grão-vizir brilharam:
– Como ela se chama?
– Chama-se Fábula!
– O quê? – disse o grão-vizir completamente encantando. A Fábula quer entrar em nosso palácio? Que grande notícia! Que entre e seja benvinda! Porém, para ser bem recebida como merece ordeno que cem escravas a esperem com presentes magníficos, flores perfumadas, danças e músicas festivas.
E assim, foram abertas de par em par, as portas do grande palácio de Bagdá para que finalmente a formosa andarilha pudesse passar.
E foi desse modo que a Verdade, vestida de Fábula, conseguiu aparecer ao poderoso Califa de Bagdá, Haroun Al-Raschid, o mais famoso sultão de todos os tempos.”
O anjo da morte e o rei de Israel
O anjo da morte e o rei de Israel
Conta de um rei de Israel que era um tirano. Um dia, enquanto eu estava sentado nela. Trono de seu reino, ele viu um homem entrar pela porta do palácio; Ele parecia um mendigo e um rosto aterrorizante. Indignado com sua aparência, assustado com a aparência, o rei deu um pulo e perguntou:
-Quem é? Quem permitiu que você entrasse? Quem te mandou vir para minha casa?
O dono da casa mandou para mim. Os camareiros não me anunciam, nem eu preciso de permissão para comparecer perante os reis, nem temo a autoridade dos sultões ou seus numerosos soldados. Eu sou o único que não respeita os tiranos. Ninguém pode escapar do meu abraço; Eu sou o destruidor da doçura, o separador dos amigos.
O rei caiu no chão para ouvir essas palavras e um arrepio percorreu seu corpo, não deixando nenhum sentido. Quando ele veio para si mesmo, ele disse:
-Você é o anjo da morte!
Sim
Ore -¡Te para que Deus me conceda um adiamento dia para que você só pode pedir perdão pelos meus pecados, procuram absolvição do meu Senhor e voltar aos seus legítimos proprietários riqueza está no meu tesouro; então não terei que passar pela angústia do julgamento ou pela dor do castigo!
Ah! Oh! Você não tem como fazer isso. Como posso conceder-lhe um dia se os dias de sua vida estiverem contados, se suas respirações forem inventariadas, se sua expectativa de vida é predeterminada e registrada?
- Me dê uma hora!
-A hora também está na conta. Ele continuou enquanto você se mantinha na ignorância e não percebia. Você terminou com sua respiração: você só tem uma esquerda.
-Quem estará comigo enquanto eu for levado ao túmulo?
-Apenas suas obras.
-Não tenho boas ações!
- Então, não há dúvida de que sua morada estará no fogo, que a ira do Todo-Poderoso espera por você no futuro.
Então ele arrebatou a alma e o rei caiu do trono no chão.
Os gritos de seus súditos foram ouvidos; vozes se levantam, choram e choram; Se eles soubessem o que a ira de seu Senhor estava preparando para eles, os gritos e soluços teriam sido cada vez mais altos e mais altos.

Reflexão
Reflexão
Um grupo de comerciantes falou sobre o prefeito da cidade, que acabara de morrer.
"Nunca tivemos um homem tão corrupto e ganancioso", disse um deles. Se ele for para o paraíso, vou me divorciar de minha linda jovem e sair da cidade.
Deus age de uma maneira misteriosa, disse outro. O prefeito bem pode ter feito uma ardósia limpa e sido aceito no Paraíso.
-Nasrudin - disse um terceiro -, você finge ter todas as respostas. O prefeito foi para o céu ou para o inferno?
Depois de alguns momentos de reflexão, o mullah respondeu:
- Nenhum homem pode saber como o Todo Poderoso toma essas decisões. O prefeito pode estar sentado no Paraíso enquanto conversamos.
Os comerciantes assentiram e olharam ansiosos para o homem que prometera deixar a cidade.
Mas Nasrudin continuou, Deus é magnânimo o suficiente para perdoar o prefeito pelas atrocidades que cometeu enquanto viver, certamente perdoar algumas promessas precipitadas feitas aqui pelo nosso amigo e deixá-lo ficar com sua nova esposa.
Um grupo de comerciantes falou sobre o prefeito da cidade, que acabara de morrer.
"Nunca tivemos um homem tão corrupto e ganancioso", disse um deles. Se ele for para o paraíso, vou me divorciar de minha linda jovem e sair da cidade.
Deus age de uma maneira misteriosa, disse outro. O prefeito bem pode ter feito uma ardósia limpa e sido aceito no Paraíso.
-Nasrudin - disse um terceiro -, você finge ter todas as respostas. O prefeito foi para o céu ou para o inferno?
Depois de alguns momentos de reflexão, o mullah respondeu:
- Nenhum homem pode saber como o Todo Poderoso toma essas decisões. O prefeito pode estar sentado no Paraíso enquanto conversamos.
Os comerciantes assentiram e olharam ansiosos para o homem que prometera deixar a cidade.
Mas Nasrudin continuou, Deus é magnânimo o suficiente para perdoar o prefeito pelas atrocidades que cometeu enquanto viver, certamente perdoar algumas promessas precipitadas feitas aqui pelo nosso amigo e deixá-lo ficar com sua nova esposa.
Fábula medieval
Um homem, o seu cavalo e o seu cão iam por um caminho.
Quando passavam perto de uma árvore enorme, caiu um raio e os três morreram fulminados.
Mas o homem não se deu conta de que já tinha abandonado este mundo, e prosseguiu o seu caminho com os seus dois animais (às vezes os mortos andam um certo tempo antes de tomarem consciência da sua nova condição…)
O caminho era muito comprido e, colina acima, o Sol estava muito intenso; eles estavam suados e sedentos.
Numa curva do caminho viram um magnífico portal de mármore, que conduzia a uma praça pavimentada com portais de ouro.
O caminhante dirigiu-se ao homem que guardava a entrada e travou com ele, o seguinte diálogo:
- Bons dias.
- Bons dias – Respondeu o guardião.
- Como se chama este lugar tão bonito?
- Aqui é o céu.
- Que bom termos chegado ao Céu, porque estamos sedentos!
- Você pode entrar e beber quanta água queira. E o guardião apontou a fonte.
- Mas o meu cavalo e o meu cão também têm sede…
- Sinto muito – disse o guardião – mas aqui não é permitida a entrada de animais.
O homem levantou-se com grande desgosto, visto que tinha muitíssima sede, mas não pensava em beber sozinho.
Agradeceu ao guardião e seguiu adiante.
Depois de caminhar um bom pedaço de tempo encosta acima, já exaustos os três, chegaram a um outro sítio, cuja entrada estava assinalada por uma porta velha que dava para um caminho de terra ladeado por árvores…
À sombra de uma das árvores estava deitado um homem, com a cabeça tapada por um chapéu. Dormia, provavelmente.
- Bons dias – disse o caminhante.
O homem respondeu com um aceno.
- Temos muita sede, o meu cavalo, o meu cão e eu.
- Há uma fonte no meio daquelas rochas – disse o homem apontando o lugar
.
- Podeis beber toda a água que quiserdes.
O homem, o cavalo e o cão foram até à fonte e mataram a sua sede.
O caminhante voltou atrás, para agradecer ao homem.
- Podeis voltar sempre que quiserdes – respondeu este.
- A propósito, como se chama este lugar? – perguntou o caminhante.
- CÉU.
- O Céu? Mas, o guardião do portão de mármore disse-me que ali é que era o Céu!
- Ali não é o Céu, é o inferno – contradisse o guardião.
O caminhante ficou perplexo.
- Deverias proibir que utilizem o vosso nome! Essa informação falsa deve provocar grandes confusões! – advertiu o caminhante.
- De modo nenhum! – respondeu o guardião – na realidade, fazem-nos um grande favor, porque ficam ali todos os que são capazes de abandonar os seus melhores amigos…
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