Silêncio de cinza na balança sem peso.
A palavra que restou na garganta
é uma pedra calcinada:
Justiça.
Nenhum anjo desce a escada de fumaça.
As portas do céu rangem
ferrugem e mofo.
Deus retirou-se para o seu silêncio de sombra,
e o homem — ó mãos de argila e prego —
ergueu-se sozinho sobre o próprio teto,
senhor do seu relógio sem ponteiros.
Não há aurora de Cordeiro e leão deitado.
Nenhuma harpa messiânica afina
o vento seco dos dias.
Mas o grito ainda rasga o entulho:
a terra quer justiça,
a carne quer a fenda da liberdade.
E mesmo sem promessa,
mesmo com o escuro pesando no fundo do poço,
uma foice corta a raiz do mal,
gota a gota,
contra o esquecimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário