domingo, 8 de março de 2026

O Banquete das Sombras


Na roda do tempo, onde o falcão se perde,

Onde a mente tece o fio do próprio medo,

Dizem que o Céu é apenas um verde

Pintado no muro de um pálido segredo.

"É projeção!", clama o sábio no deserto,

"Um fantasma moldado pelo facho da dor,

O reflexo de um pai, de um peito aberto,

Criado no vácuo de um antigo clamor."


Mas se a alma, em seu exílio de argila,

Sonha com fontes que a terra não viu,

Seria a sede uma mentira tranquila,

Ou a prova de um rio que o mapa traiu?

Pois se o pão é real porque o ventre reclama,

E a água responde à febre do lábio,

Por que seria falsa a secreta chama

Que busca o Eterno no Reino do Sábio?


Não somos mendigos de um nada dourado,

Mas viajantes que guardam o cheiro do lar;

Se o desejo existe, o banquete é sagrado,

E há mais que cinzas além do luar.

A cabeça: virgem floresta irlandesa


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