domingo, 8 de março de 2026

O Açoite do Sorgo Vermelho

 

O Açoite do Sorgo Vermelho

O cinto sibilou no ar, uma cobra de couro preta rasgando o silêncio da noite abafada. O estalo foi seco, como um galho de pessegueiro quebrando, e a carne do lombo do narrador ardeu, uma queimadura que parecia vir do centro da terra. Michelle, com as mãos grossas e calejadas pelo trabalho no campo, puxou-lhe o cabelo, a nuca estalando com um som que ecoou nas paredes de barro da cabana.

— Gosta de apanhar, cadela? — a voz dela soou como o ranger de uma porta pesada, cheia de um prazer cruel.

O primeiro golpe foi apenas o começo. O couro encontrou a carne com uma precisão cirúrgica, e o sexo do narrador pulsou, uma resposta involuntária a uma dor que se confundia com o prazer. Outros três golpes vieram em seguida, rápidos e rítmicos, no centro do alvo, deixando marcas vermelhas que pareciam cicatrizes antigas. Ele tentou se levantar, mas Michelle o esmagou contra o sofá velho e gasto, um peso que parecia o de uma montanha.

— Fica quieta, tarada — ela sussurrou no ouvido dele, o hálito quente misturado ao cheiro de sorgo fermentado. — Vou te dar o que você quer.

Sem aviso, o cabo da raquete de tênis entrou, frio e duro, uma invasão brutal que não pedia licença. O narrador gritou, um grito que rasgou a garganta e se perdeu na noite, mas o corpo traiu a voz, empurrando contra a fibra, buscando mais daquela penetração dolorosa.

— Quer meu pau? — ela riu, uma risada que soou como o choro de um recém-nascido. — Vai ser minha escrava.

Michelle socava o cabo, fundo, o ritmo de uma metralhadora que não parava de atirar. O narrador já não era ele mesmo. Era um bicho gemendo obscenidades, pedindo a pica, implorando o gozo que parecia estar sempre fora de alcance. Michelle acelerou, o movimento tornando-se frenético, o mundo girando ao redor deles em um turbilhão de suor e impacto.

No fim, ele ficou lá. Pernas abertas, tremendo no colchão fétido, o corpo coberto de marcas e suor. Escrava não pede descanso. Escrava espera o próximo comando, a próxima dor que traria um prazer passageiro, uma ilusão de vida em meio à morte que os cercava.

 

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