O Açoite do Sorgo Vermelho
O cinto
sibilou no ar, uma cobra de couro preta rasgando o silêncio da noite abafada. O
estalo foi seco, como um galho de pessegueiro quebrando, e a carne do lombo do
narrador ardeu, uma queimadura que parecia vir do centro da terra. Michelle,
com as mãos grossas e calejadas pelo trabalho no campo, puxou-lhe o cabelo, a
nuca estalando com um som que ecoou nas paredes de barro da cabana.
— Gosta
de apanhar, cadela? — a voz dela soou como o ranger de uma porta pesada, cheia
de um prazer cruel.
O
primeiro golpe foi apenas o começo. O couro encontrou a carne com uma precisão
cirúrgica, e o sexo do narrador pulsou, uma resposta involuntária a uma dor que
se confundia com o prazer. Outros três golpes vieram em seguida, rápidos e rítmicos,
no centro do alvo, deixando marcas vermelhas que pareciam cicatrizes antigas.
Ele tentou se levantar, mas Michelle o esmagou contra o sofá velho e gasto, um
peso que parecia o de uma montanha.
— Fica
quieta, tarada — ela sussurrou no ouvido dele, o hálito quente misturado ao
cheiro de sorgo fermentado. — Vou te dar o que você quer.
Sem
aviso, o cabo da raquete de tênis entrou, frio e duro, uma invasão brutal que
não pedia licença. O narrador gritou, um grito que rasgou a garganta e se
perdeu na noite, mas o corpo traiu a voz, empurrando contra a fibra, buscando
mais daquela penetração dolorosa.
— Quer
meu pau? — ela riu, uma risada que soou como o choro de um recém-nascido. — Vai
ser minha escrava.
Michelle
socava o cabo, fundo, o ritmo de uma metralhadora que não parava de atirar. O
narrador já não era ele mesmo. Era um bicho gemendo obscenidades, pedindo a
pica, implorando o gozo que parecia estar sempre fora de alcance. Michelle
acelerou, o movimento tornando-se frenético, o mundo girando ao redor deles em
um turbilhão de suor e impacto.
No fim,
ele ficou lá. Pernas abertas, tremendo no colchão fétido, o corpo coberto de
marcas e suor. Escrava não pede descanso. Escrava espera o próximo comando, a
próxima dor que traria um prazer passageiro, uma ilusão de vida em meio à morte
que os cercava.
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