domingo, 8 de março de 2026

O Banquete da Anja Carnuda

 

O Banquete da Anja Carnuda

O desejo não era um sentimento, era um bicho de casco rachado pisoteando o estômago do narrador. Ele sonhava com as fêmeas da vila, com suas ancas largas e o cheiro de suor doce misturado ao farelo de sorgo. Mas o que ele encontrou na estrada poeirenta, sob o sol escaldante que fazia a terra gemer, foi uma aparição.

Uma morena grandota, uma torre de carne rica envolta num pano curto que mal cobria suas coxas grossas como troncos de pessegueiro. Ela caminhava com a altivez de uma imperatriz, e a poeira que se levantava de seus pés parecia incenso. Aos olhos dele, ela era a fêmea primordial, o milagre da criação destilado em curvas generosas. A coragem subiu-lhe à boca como bile.

— Sobe? — ele cuspiu, o coração batendo como um tambor de guerra.

Eles foram para uma estalagem de beira de estrada, um lugar fétido que cheirava a mofo e a segredos mal enterrados. No quarto escuro, o desmonte.

Ela começou a se despir e ele estremeceu, não de prazer, mas de um terror ancestral. À medida que as roupas caíam, a flacidez de sua carne se revelava, não como decadência, mas como uma abundância monstruosa. Ela era um colosso, uma montanha de carne que ameaçava esmagá-lo.

— Sim, bebê — a voz dela soou como o ranger de uma porta pesada. — Vai mamar muito.

Ele gelou. O sangue fugiu-lhe do rosto, deixando-o lívido como um cadáver. Olhou para o instrumento que emergia daquela massa carnuda, olhou para o destino final daquela jornada.

— Alguém aguenta isso no buraquinho? — ele balbuciou, a voz sumindo.

— Tem quem aguente — ela sorriu, revelando dentes amarelos. — E você vai comer dobrado.

O banho dela foi rápido, mas para ele durou uma eternidade. O som da água caindo misturava-se ao som do seu próprio coração batendo. Quando ela voltou, o instrumento já estava endurecido, uma viga de aço batendo-lhe no rosto. Ele tentou recuar, o medo travando-lhe o gogó.

— Deixa de frescura — ela disse, a voz cheia de um prazer cruel. — Mama logo que eu sei que você quer.

Ela enfiou aquilo na boca dele, uma invasão brutal que não pedia licença. E começou a foder. Aquilo crescia dentro dele, um bicho selvagem, proporções de animal pré-histórico que ameaçavam rasgá-lo por dentro.

— De quatro — ela ordenou, com a autoridade de quem domina o mundo. — Vou te deixar louco.

Língua no ralo, língua no mel. Ele desfalecia, transformado num boneco de pano nas mãos dela. Uma marionete cujas cordas eram puxadas por um prazer que se confundia com a dor.

— Não cabe — ele gemeu, a voz fraca.

— Teu rabo é estreito, bebê — ela sussurrou no ouvido dele, a voz quente. — Só vou brincar na porta.

Passou a cabeça. Aperto, gemido, o estouro. Entrou. Uma dor de faca rasgando-lhe as entranhas, mas ela nem viu. Deitou nas costas dele, o hálito quente no ouvido:

— Rabinho rico. Vou te comer todo.

E empurrou o resto. Uma mistura supliciante de dor e gozo. Ela de olhos virados, o bombear lento e rítmico, como o pulsar da própria terra. Tirava tudo, botava tudo. Ele chorava de dor, ela de prazer.

— Toma pica, toma sabroso — ela rugia, a voz ecoando no quarto abafado.

Me comeu em todas as posses. De quatro, de lado, de alma aberta. Bombeou até que ele jorrasse sem que um único toque na polpa. Uma ejaculação involuntária, fruto de um prazer que transbordava do corpo. Nunca tinha sido tão bem comido.

Agora, o silêncio do quarto. O vazio que se instala após a tempestade. Fica a saudade e o medo. Não volta. Não tem peito para enfrentar aquela pica de novo: grande, cabeçuda, grossa. Uma lembrança que assombrará seus sonhos, uma marca indelével na sua carne.

 

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