O Banquete da
Anja Carnuda
O desejo não era um sentimento, era um bicho de casco rachado pisoteando
o estômago do narrador. Ele sonhava com as fêmeas da vila, com suas ancas
largas e o cheiro de suor doce misturado ao farelo de sorgo. Mas o que ele
encontrou na estrada poeirenta, sob o sol escaldante que fazia a terra gemer,
foi uma aparição.
Uma morena grandota, uma torre de carne rica envolta num pano curto que
mal cobria suas coxas grossas como troncos de pessegueiro. Ela caminhava com a
altivez de uma imperatriz, e a poeira que se levantava de seus pés parecia
incenso. Aos olhos dele, ela era a fêmea primordial, o milagre da criação
destilado em curvas generosas. A coragem subiu-lhe à boca como bile.
— Sobe? — ele cuspiu, o coração batendo como um tambor de guerra.
Eles foram para uma estalagem de beira de estrada, um lugar fétido que
cheirava a mofo e a segredos mal enterrados. No quarto escuro, o desmonte.
Ela começou a se despir e ele estremeceu, não de prazer, mas de um
terror ancestral. À medida que as roupas caíam, a flacidez de sua carne se
revelava, não como decadência, mas como uma abundância monstruosa. Ela era um
colosso, uma montanha de carne que ameaçava esmagá-lo.
— Sim, bebê — a voz dela soou como o ranger de uma porta pesada. — Vai
mamar muito.
Ele gelou. O sangue fugiu-lhe do rosto, deixando-o lívido como um
cadáver. Olhou para o instrumento que emergia daquela massa carnuda, olhou para
o destino final daquela jornada.
— Alguém aguenta isso no buraquinho? — ele balbuciou, a voz sumindo.
— Tem quem aguente — ela sorriu, revelando dentes amarelos. — E você vai
comer dobrado.
O banho dela foi rápido, mas para ele durou uma eternidade. O som da
água caindo misturava-se ao som do seu próprio coração batendo. Quando ela
voltou, o instrumento já estava endurecido, uma viga de aço batendo-lhe no
rosto. Ele tentou recuar, o medo travando-lhe o gogó.
— Deixa de frescura — ela disse, a voz cheia de um prazer cruel. — Mama
logo que eu sei que você quer.
Ela enfiou aquilo na boca dele, uma invasão brutal que não pedia
licença. E começou a foder. Aquilo crescia dentro dele, um bicho selvagem,
proporções de animal pré-histórico que ameaçavam rasgá-lo por dentro.
— De quatro — ela ordenou, com a autoridade de quem domina o mundo. —
Vou te deixar louco.
Língua no ralo, língua no mel. Ele desfalecia, transformado num boneco
de pano nas mãos dela. Uma marionete cujas cordas eram puxadas por um prazer
que se confundia com a dor.
— Não cabe — ele gemeu, a voz fraca.
— Teu rabo é estreito, bebê — ela sussurrou no ouvido dele, a voz
quente. — Só vou brincar na porta.
Passou a cabeça. Aperto, gemido, o estouro. Entrou. Uma dor de faca
rasgando-lhe as entranhas, mas ela nem viu. Deitou nas costas dele, o hálito
quente no ouvido:
— Rabinho rico. Vou te comer todo.
E empurrou o resto. Uma mistura supliciante de dor e gozo. Ela de olhos
virados, o bombear lento e rítmico, como o pulsar da própria terra. Tirava
tudo, botava tudo. Ele chorava de dor, ela de prazer.
— Toma pica, toma sabroso — ela rugia, a voz ecoando no quarto abafado.
Me comeu em todas as posses. De quatro, de lado, de alma aberta. Bombeou
até que ele jorrasse sem que um único toque na polpa. Uma ejaculação
involuntária, fruto de um prazer que transbordava do corpo. Nunca tinha sido
tão bem comido.
Agora, o silêncio do quarto. O vazio que se instala após a tempestade.
Fica a saudade e o medo. Não volta. Não tem peito para enfrentar aquela pica de
novo: grande, cabeçuda, grossa. Uma lembrança que assombrará seus sonhos, uma
marca indelével na sua carne.
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