Leite do Corpo
Na penumbra, a palavra não se diz —
ela escorre.
Desliza entre gestos e dobras,
funde saliva a desejo,
e de um corpo ao outro,
nasce o poema sem rima.
A língua aprende caminhos
que o dicionário não ousa tocar.
E no ápice, quando o tempo
suspende sua respiração,
algo branco explode, terno e sem culpa,
como um segredo entregue.
É leite do corpo,
é confissão sem voz,
é selo de um pacto carnal
que se desfaz no silêncio
com gosto de permanência.
Depois, o quarto é palavra adormecida,
e a pele, papel usado.
Mas a boca guarda ainda
um gosto de verdade —
quente, absurda, branca.
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