quarta-feira, 4 de junho de 2025

Diálogo no Corpo do Sonho

 Diálogo no Corpo do Sonho

— Que flor é essa que desabrocha entre as tuas coxas,
mesmo quando o mundo desmorona?

— É jardim que não morre, amor.
É caverna de seiva e murmúrio,
onde o tempo se ajoelha.

— Toco-a com dedos de vento,
e ela me responde com umidade antiga,
como se minha língua fosse uma oferenda.

— E é.
Teu gozo branco é sal lunar.
Quando entra em mim,
o universo sussurra: estou completo.

— Chamo-o de esperma,
mas ele não é palavra:
é tinta que escreve
na página viva do ventre.

— E eu, com minha buceta em febre de criação,
recebo como livro sagrado,
como tinta, como gesto.

— Somos profetas de carne,
sagrando prazer num altar de ossos.
Ninguém nos traduz —
mas a noite nos compreende.

— Somos poema sem gramática,
mas com rima de pele,
verso de grito,
e pontuação de gemido.

— Tu escorres em mim,
e eu viro mar.

— E eu, afogado,
me torno estrela.

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