Diálogo no Corpo do Sonho
— Que flor é essa que desabrocha entre as tuas coxas,
mesmo quando o mundo desmorona?
— É jardim que não morre, amor.
É caverna de seiva e murmúrio,
onde o tempo se ajoelha.
— Toco-a com dedos de vento,
e ela me responde com umidade antiga,
como se minha língua fosse uma oferenda.
— E é.
Teu gozo branco é sal lunar.
Quando entra em mim,
o universo sussurra: estou completo.
— Chamo-o de esperma,
mas ele não é palavra:
é tinta que escreve
na página viva do ventre.
— E eu, com minha buceta em febre de criação,
recebo como livro sagrado,
como tinta, como gesto.
— Somos profetas de carne,
sagrando prazer num altar de ossos.
Ninguém nos traduz —
mas a noite nos compreende.
— Somos poema sem gramática,
mas com rima de pele,
verso de grito,
e pontuação de gemido.
— Tu escorres em mim,
e eu viro mar.
— E eu, afogado,
me torno estrela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário