um poema sobre conversão e renúncia do antigo misticismo celta pagão
Nos montes onde dançava o vento,
Eu ouvia a voz dos antigos deuses —
Sussurros em folhas, sortilégios do tempo,
Mistérios velados em pedras e musgos.
No círculo das árvores, sob a lua pálida,
Busquei sentido entre runas e ritos.
Falava com sombras, bebia silêncio,
E o espírito seguia entre brumas e mitos.
Mas veio a cruz —
Não com trovão, mas com um murmúrio.
Nas palavras do Cristo, um lume secreto
Desfez as sombras do bosque obscuro.
O Deus que sangra por amor eterno
Não exige oferendas de medo ou dor.
Ele não habita nem rochas nem árvores,
Mas corações rendidos ao seu amor.
O encanto dos druidas perdeu sua cor.
A beleza que antes me encantava
Agora se mostra como véu de ilusão —
Sombras de glória que já se afastava.
Deixei os deuses da seiva e da pedra,
Seus ciclos presos à roda da morte.
Agora contemplo o Verbo que é vida,
O Cordeiro, meu rumo, minha sorte.
A teologia — sim, os altos céus da mente,
Onde a razão beija o mistério com reverência —
Atrai-me mais que qualquer encantamento
Que invoque espíritos sem consciência.
Não rejeito a terra de onde vim,
Mas sei que a raiz sem luz apodrece.
O Cristo me chamou, e em Sua graça,
Tudo o que era encantado, agora adormece.
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