Nas montanhas frias de pedra e vento,
Lá onde o sol é pálido e lento,
Mora um troll de voz tão grave
Quanto os trovões sobre a neve suave.
Seus olhos brilham como gelo antigo,
E o coração, partido, não tem abrigo.
Pois há cem invernos — ou mais, talvez —
Perdeu sua amada nas mãos dos eldês.
Ela dançava entre pinheiros brancos,
Cantava aos lobos nos vales francos.
Tinha dentes de marfim e riso de granizo,
E nele morava seu único riso.
Mas num crepúsculo de flechas e chamas,
Vieram os elfos com suas tramas.
Buscaram vingança por tempos passados,
E em sua fúria, deixaram-no calado.
Não ergueu punhos, nem rosnou vingança,
Apenas sentou-se — perdeu a esperança.
Segurou-lhe o corpo sob o céu cinzento,
E ficou ali, imóvel, por todo o tempo.
"Os elfos são belos", disse com dor,
"E cantam canções cheias de amor.
Mas a mão que te tomou, minha flor de gelo,
Fez-se de luz, mas pesou como o martelo."
Desde então vagueia sem palavras ou grito,
Só as corujas lhe ouvem o mito.
E quando a aurora pinta o céu de rubor,
Ele sussurra: “Eu me lembro do amor.”
Os elfos passam e não o veem,
Pensam que trolls não sentem além.
Mas nas cavernas onde o vento geme,
Mora um coração... que ainda teme.
Não teme espadas, nem fogo, nem fim —
Mas teme esquecer o perfume do jasmim.
Aquele que ela usava nos cabelos grossos,
Entre os galhos frios, entre rochedos foscos.
E assim ele vive, sem raiva ou rancor,
Só com saudade e um velho amor.
Na solidão que só a neve entende,
Onde o tempo para… e o coração se rende.

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