A Balada do Homem Sem Cabeça
No nevoeiro de Dublin, tão denso e tão frio,
Onde o sino da morte soa num fio,
Andava um sujeito, chamava-se Sean,
Com um gorro vermelho e um velho bastão.
Mas eis que uma foice, vinda do além,
Cortou-lhe a cabeça — e caiu também!
Rolou pelo chão, deu três cambalhotas,
Parou numa poça, com moscas devotas.
E Sean, coitado, parou... e pensou:
“Algo me falta, estranho eu estou.”
Tentou coçar o queixo, não havia razão —
Pois o pescoço findava em vão.
Correu à taverna, tropeçando em seu ser,
Sem olhos, sem boca, mas sede a crescer.
O taverneiro, um velho cético e torto,
Disse: “Já vi bêbado, mas tu estás morto!”
Sean, zombeteiro, gesticulou: “Não!
Mortos não bebem cerveja de bom tom!”
Sentou-se, sem face, num banco qualquer,
E grunhiu, de seu nada: “Me traga a stout, senhor garçom, com prazer!”
E ali ele fica, nas noites sombrias,
Sem rosto, sem fala, mas cheio de guias.
E se escuta um riso vindo da lareira,
É Sean sem cabeça — brindando a noite inteira.
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