TUDO BEM ELES NUNCA VÃO SABER MESMO
O uísque era caro, mas o suor no banco de couro do Mercedes era comum. Ele fechou o zíper, recuperando a dignidade junto com o nó da gravata.
— Minha família é tradicional, entende? — ele disse, a voz polida. — Mas tudo bem. Eles nunca vão saber mesmo.
— O segredo é a alma do negócio, doutor — ela sorriu, retocando o batom no espelho do quebra-sol.
— Você é um investimento discreto.
— E você é um cliente... generoso.
Ele saiu do carro, sentindo-se invencível. Ela esperou o farol abrir e desbloqueou o celular. Selecionou três fotos: o perfil dele no escuro, o relógio de ouro sobre o painel e o ângulo exato da nuca suada.
Encaminhou para o contato salvo como "Dona Sílvia".
"O investimento rendeu hoje."
Do outro lado, a visualização foi imediata. Um "visto" azul que brilhava como uma lâmina. No banco de trás, o perfume dela ainda pairava, denso e perigoso, enquanto o homem subia o elevador social, sorrindo para o próprio reflexo.
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