O Corpo Dela Como Um Relâmpago
Nunca fui tão homem como no instante
em que me desfiz dentro dela —
e ela sorriu, como quem vence o tempo
e reinventa a carne com um gesto.
Travesti branca, corpo de vertigem,
colina onde o prazer curva o mundo.
Havia nela uma paz que queimava,
e um cu tão perfeito que parecia mentira
esculpido num delírio de mármore quente
por deuses pagãos embriagados de gozo.
Toquei — com a boca, com a alma,
com a culpa e com a glória de ser quem deseja.
Ela não era mulher. Era mais.
Era travessia. Era travesti.
Era o poema que se escreve com gemido
e se lê com os olhos revirados.
Dentro dela — fui cosmos.
Explodi-me em mil versões de mim mesmo,
e por um segundo, breve e eterno,
a vida fez sentido no som do nosso suor.
Depois ela riu. E me olhou.
Como se soubesse de todos os segredos
que os homens escondem atrás do medo.
E eu soube, então, que já era tarde:
meu corpo era dela. Meu nome, silêncio.
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