quarta-feira, 4 de junho de 2025

A Balada de Rilfin


Em vales fundos de pedra e eco,
morava Rilfin, baixo e seco.
Anão de barbas como pregos,
coração duro, cheio de egos.

Nas minas frias cavava só,
não por pão, nem por pó de pó.
Mas por rubis e anéis de prata,
que entesourava em velha mata.

"Minhas joias!", dizia ao vento,
"Valem mais que rei ou templo!"
E em sua cova, escura e funda,
o brilho era ouro — a alma, imunda.

Fez coroas sem reis, colares sem peito,
guardava até migalha com despeito.
Jamais deu pedra a irmã ou irmão,
era senhor do seu grilhão.

Mas eis que um dia, no céu tão calmo,
voou um verde, imenso palmo.
Um dragão de escamas feito esmeralda,
com olhos de treva e sede de malta.

"Ó pequeno ferreiro de orgulho vil,
teu ouro não é mais teu, é meu!" — riu Gil.
E com um bafo que gelou o chão,
tomou-lhe a caverna e a ambição.

Rilfin chorou, mas não por dor,
só lamentou seu brilho e cor.
Expulso, pobre, sem seu tesouro,
ficou no frio, sem pão, sem ouro.

Aprendeu então, sob as árvores mudas,
que jóias só brilham se são partilhadas.
E que até dragões, em sua fúria fria,
podem ensinar certa sabedoria.



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