quarta-feira, 25 de março de 2026

O Punhal de Prata e Sombra.......

 O Punhal de Prata e Sombra

Sobre a grande espada, a noite

estende um braço de vento.

O aço sonha com rios,

o aço morre em seu silento.


A porta dela se abre,

fresta de cal e de lua,

enquanto o metal murmura

sua raspadinha nua.


Saindo da bainha nua,

como um peixe de agonia;

brilho que fere o escuro,

frio que mata o dia.


Ó, cintilação de espelho!

Ó, presságio de ferida!

A espada busca no peito

a rosa curta da vida.



Abismo

O silêncio é um anzol de prata...

Solidão profunda

de peixe e de mar,

onde a lua não se afunda

e o grito esquece o altar.

Sem voz, a água te inunda...

Nua... a cantar.



Fruta 

Em teus ramos de cal

penduram laranjeiras de olhares.

Eu quero, na noite nua,

chupar o sumo de luar

que tua sombra ampara.



Visão de Cal

Elisa, Elisinha,

na costa do teu desejo,

peitos de faróis imensos

acesos na noite, te vejo.


Dois astros de gesso e sal

guiando meu barco de beijo.



Romance de Yzabel

Yzabel saiu de passeio,

descalça de seda e rua.

Sem cachecol que a proteja,

nem guarda-chuva de lua.


Ay, o sol está quente

em sua nuca de areia!

Ay, que a lua está fria

nas veias de quem a rodeia.

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