O Punhal de Prata e Sombra
Sobre a grande espada, a noite
estende um braço de vento.
O aço sonha com rios,
o aço morre em seu silento.
A porta dela se abre,
fresta de cal e de lua,
enquanto o metal murmura
sua raspadinha nua.
Saindo da bainha nua,
como um peixe de agonia;
brilho que fere o escuro,
frio que mata o dia.
Ó, cintilação de espelho!
Ó, presságio de ferida!
A espada busca no peito
a rosa curta da vida.
Abismo
O silêncio é um anzol de prata...
Solidão profunda
de peixe e de mar,
onde a lua não se afunda
e o grito esquece o altar.
Sem voz, a água te inunda...
Nua... a cantar.
Fruta
Em teus ramos de cal
penduram laranjeiras de olhares.
Eu quero, na noite nua,
chupar o sumo de luar
que tua sombra ampara.
Visão de Cal
Elisa, Elisinha,
na costa do teu desejo,
peitos de faróis imensos
acesos na noite, te vejo.
Dois astros de gesso e sal
guiando meu barco de beijo.
Romance de Yzabel
Yzabel saiu de passeio,
descalça de seda e rua.
Sem cachecol que a proteja,
nem guarda-chuva de lua.
Ay, o sol está quente
em sua nuca de areia!
Ay, que a lua está fria
nas veias de quem a rodeia.
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