quarta-feira, 25 de março de 2026

Ritual de Asa...

Ritual de Asa

A mariposa se esconde,

pétala de cinza e monte.

Sobre o altar de cal,

sobre a fonte de sal.


Veste o silêncio da pedra

para não ser cristal.



Elegia Paulistana

Canto agora, sob o asfalto,

para o artista morto,

entre o ferro e o cansaço

de São Paulo e seu porto.


Tristeza de sal nos olhos,

açúcar de polícia na boca.

A cidade é um cavalo de sombra

em uma praça oca.



Balada do Êxodo

Judeu vermelho na chuva,

com barbas de cobre e vento.

Passos de ciganos lentos,

pisando o sal do relento.


A lama é um espelho de bronze.

A noite é um acampamento.



O Beijo de Água

Sobre a chuva vi dormir

sua boca, rosa de frio.

Lábio de terra e de rio,

no silêncio do devir.


E a beijei forte,

com o peso do mar em agonia,

para que a noite soubesse

que o beijo é a luz que vicia.




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