Ritual de Asa
A mariposa se esconde,
pétala de cinza e monte.
Sobre o altar de cal,
sobre a fonte de sal.
Veste o silêncio da pedra
para não ser cristal.
Elegia Paulistana
Canto agora, sob o asfalto,
para o artista morto,
entre o ferro e o cansaço
de São Paulo e seu porto.
Tristeza de sal nos olhos,
açúcar de polícia na boca.
A cidade é um cavalo de sombra
em uma praça oca.
Balada do Êxodo
Judeu vermelho na chuva,
com barbas de cobre e vento.
Passos de ciganos lentos,
pisando o sal do relento.
A lama é um espelho de bronze.
A noite é um acampamento.
O Beijo de Água
Sobre a chuva vi dormir
sua boca, rosa de frio.
Lábio de terra e de rio,
no silêncio do devir.
E a beijei forte,
com o peso do mar em agonia,
para que a noite soubesse
que o beijo é a luz que vicia.
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