TENTAR - POESIA
DESOLADO
para augusto dos anjos
Onde as ilhas me envolvem em sua claridade
Onde a noite pulsa com estrelas frias & distantes.
Com o vento galopante, chiando igual chaleira,
Eu vou pela floresta da minha imaginação perdida.
Entro na porta dos carvalhos e das colinas,
Repouso entre Elfos e Faunos bravios de suspiros.
Vejo do outro lado a Ilha perdida do meu coração,
E enterro meus pensamentos em gemidos antigos.
Desolado por essa muralha de sentimentos,
Vou ricocheteando minhas parábolas igual teia.
Deito no chão frio e nevoento minha manta
E minha visão passa a ser assombrada por fantasmas.
Óh luas, quem me dera amar a primavera!
Eu nasci nesse corpo estranho e fadado ao Nórdico.
Meu capacete e range os meus dentes de delírio.
Estou vivo, galopando para o rio da Morte.
A MÁQUINA
para josé saramago
Agora levantarei meus braços cansados
E amaldiçoarei os abismos que me arrastam.
Eu sonho com bruxas terríveis devorando
Esqueletos de pássaros e chacais.
Quem abriu a porta perversa dessa
Névoa que entra pela janela, me arrastando
Com o troar dos corvos que me
Assombram o suspiro de asmático?
Óh, os Templos foram deixados
Para as máquinas futuras que nos rodeiam.
O verdadeiro templo do corvo
É uma tumba silenciosa e fria.
Vou tentar sorrir mais uma vez
Para que essa máquina enferruje meus sentimentos.
E que meu coração bombeie o sangue
Não o da alegria, mas o do sofrimento!
TENTAR
Vou de novo a compor
Os versos que do peito
Brotem igual raízes que
Me sufoquem sentimentos.
Vou deixar escrito, palabra
Seríssima, desse peito que
Arde o destino e a memória,
Já não saber quem tece
O tempo que me rodeia.
Amor, eu já não sinto,
E dor, que loucura extrema,
Deixo a todos o meu tentar
Sereno apenas.
QUESTÃO PESSOAL
para kenzaburo oe
Se a noite chega cavalgando
E pela porta seus passos vem.
Me esqueço de quem sou
E o amor de novo me tem.
Eu sigo suspirando prantos,
Pelos bosques, pelas árvores.
Já sofri e morri igual névoa,
E parti igual um pássaro.
Quem sou eu? Escolhe
A voz que grita pela espiga.
E o amor me mói igual
Silhueta de um rio tenebroso.
Essa questão pessoal, vou
Abrir a porta para o amor.
E me sento de novo, suspiro,
Quem geme se não a dor?
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