A neblina cortava a calçada. Ela estava lá na esquina, quase nua sob o
corpete rasgado, a pele retinta brilhando no neônio da farmácia.
O homem empacou o passo. A boca seca, o estômago revirado de desejo e nojo.
Chegou junto, a respiração fétida colando no pescoço dela.
— Quanto para chupar essa carne preta?
Ela nem virou o rosto. Cuspiu o catarro no asfalto, a
voz grossa cortando o silêncio da madrugada:
— Procura tua mãe, otário. Aqui o buraco é mais embaixo.
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