O Arcanjo Negro e o Mapa da Safadeza
Foi então que ele apareceu.
Nu como o pecado, o Arcanjo Negro emergiu de entre os troncos, sua pele
escura reluzindo sob a luz difusa. Coxas largas, definidas como canelas
polidas, e um torso esculpido que parecia ter sido lavrado em ervas
aromáticas—ele era tentação em carne e osso.
"Chupa," ordenou o Arcanjo, sua voz um rugido suave, enquanto
empinava o quadril, exibindo um pau grosso e pulsante. Ezra não pensou—apenas
se ajoelhou, abrindo a boca como um devoto diante de um altar. A primeira
lambida foi devota, mas logo ele afundou, engolindo até as bolas pesadas,
saboreando o salgado da pele do ser divino.
"Quero mais," Ezra gemeu, arqueando as costas, oferecendo o cu
ainda virgem. O Arcanjo não pediu licença—agarrou-o pelas ancas e enterrou-se
nele com um único movimento, fazendo Ezra gritar de dor e prazer misturados.
Cada embalada era uma punição celestial, até que o Arcanjo arrancou-se e jorrou
na boca aberta de Ezra, quente e abundante.
Antes de desaparecer como fumaça, o Arcanjo lhe entregou um pergaminho
antigo. "Este é o mapa do mundo da safadeza. Me encontre
lá." Ezra achou a saída da floresta com as pernas trêmulas, o
gosto do Arcanjo ainda na língua—e o mapa, ardendo em suas mãos como uma
promessa.
A Cartografia do Arcano e o Efebo de Campinas
Ezra caminhava pelo inventário de sombras daquela
floresta, onde o ar de Campinas, espesso como um caldo de memórias imemoriais,
aderia ao seu rosto com a persistência do destino. As árvores não eram meros
vegetais; eram monumentos de uma virilidade telúrica, fustes de uma arquitetura
fálica que pareciam reivindicar para si a soberania do mundo. Naquele labirinto
de ereções vegetais, o jovem sentia o peso de sua própria linhagem oculta, o
latejar de um desejo que a história oficial da sua casta sempre ousara omitir.
Subitamente, a escuridão abriu-se em uma clareira de
prodígios. Ali, erguia-se o Arcanjo
Negro, uma criatura que parecia esculpida no ébano das nações fundadoras.
Suas coxas, polidas como a canela que as caravelas outrora buscaram no Oriente,
sustentavam um torso de alecrim, cujo aroma exalava a autoridade dos patriarcas
e a doçura dos amantes clandestinos. Era uma aparição de uma nudez absoluta,
uma escultura de carne que ignorava as leis da gravidade e do pudor.
— Cumpre o teu rito — ordenou a voz do Arcanjo, um som
que trazia o eco de todas as catedrais submersas.
Ezra, movido por uma obediência que transcendia a
própria vontade, prostrou-se. Não era um ato de sujeição, mas de acolhimento. Ao envolver com os
lábios aquela haste de poder divino, ao saborear o sal das esferas pesadas sob
o ventre do Arcanjo, Ezra comungava com a própria essência da vida. O prazer
era uma gramática nova, uma língua que ele agora aprendia a soletrar com a
língua.
No auge daquela liturgia carnal, Ezra ofereceu o seu
próprio santuário, o centro da sua geografia íntima. O Arcanjo, com a força de
quem funda cidades, invadiu-o. Foi uma colisão de épocas; a dor e o êxtase
fundiram-se numa só substância, até que a semente celestial foi depositada na
boca de Ezra como um selo de aliança, quente e irrevogável.
Antes de dissolver-se na bruma, o ser de ébano
entregou-lhe o papiro da sua nova cidadania.
— Guarda este mapa — sentenciou o Arcanjo, com a
solenidade de quem entrega as chaves de um reino. — Nele jaz a topografia da
tua verdadeira pátria, o território da safadeza onde as máscaras perecem. Ali,
serei o teu guia.
Ezra emergiu da floresta com o passo vacilante dos
sobreviventes de grandes batalhas. Levava na boca o sabor do absoluto e, nas
mãos, o pergaminho que não era apenas um guia, mas o testamento de uma
liberdade que jamais ousara sonhar.
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