segunda-feira, 3 de agosto de 2026

As ameixas

 O sol impiedoso ilumina a manhã

em fatias de pão seco e silencioso.


A luz não aquece,

apenas contempla a blusa de lã esfarrapada

pendurada no prego da parede caiada.


Os ponteiros do relógio enferrujado

perderam a pressa de sangrar.

Sobre a mesa de madeira gasta,

um copo guarda o silêncio do dia que passou.


E bem onde a paisagem se divide,

raios de sol, onde vejo o rio azul 

uma fita fria, um remanescente do oceano,

que esqueceu o caminho de casa

e arrasta seu nome, Água,

pelas pedras cegas do inverno.

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