O sol impiedoso ilumina a manhã
em fatias de pão seco e silencioso.
A luz não aquece,
apenas contempla a blusa de lã esfarrapada
pendurada no prego da parede caiada.
Os ponteiros do relógio enferrujado
perderam a pressa de sangrar.
Sobre a mesa de madeira gasta,
um copo guarda o silêncio do dia que passou.
E bem onde a paisagem se divide,
raios de sol, onde vejo o rio azul
uma fita fria, um remanescente do oceano,
que esqueceu o caminho de casa
e arrasta seu nome, Água,
pelas pedras cegas do inverno.
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