terça-feira, 10 de março de 2026

2 CONTOS

 

A Onda de Ana

 

Ana nunca havia sentido tanto calor em uma galeria de arte. A pintura de Hokusai, "A Grande Onda de Kanagawa", parecia pulsar diante dela, os tentáculos azulados da espuma assumindo formas sinuosas, quase vivas. Ela fechou os olhos por um segundo—e quando os abriu, já não estava mais no museu. 

 

A areia úmida grudava em suas costas nuas. O céu era um roxo profundo, e as ondas não quebravam—se arrastavam em direção a ela, feitas de corpos viscosos e brilhantes. Moluscos, polvos, criaturas sem nome deslizando sobre sua pele com ventosas que sugavam e exploravam cada curva do seu corpo. Um deles enrolou-se em sua perna, subindo devagar até encontrar o calor entre suas coxas. Outro deslizou por seu pescoço, cuspindo um líquido salgado em seus lábios entreabertos. 

 

Ana arqueou as costas quando o primeiro jato quente explodiu em sua boca, o sabor do mar inundando sua garganta. Mais vieram—na buceta, nos mamilos inchados, nos dedos que tentavam, em vão, segurar algo sólido. Ela era apenas carne oferecida àquela maré viva, e quando acordou, de pernas trêmulas e a saia encharcada, a pintura ainda estava lá. Sorrindo. 

 

Naquele dia, Ana comprou um pôster da onda. E um vibrador em forma de tentáculo.




O Encontro de Kim com Glum

 

A rua estava vazia quando Kim saiu do bar, suas pernas tremiam de tanto desejo acumulado. A calcinha já estava encharcada, e cada passo fazia sua bucetinha rosa e raspadinha latejar de necessidade. Ela não escolhia—homens, mulheres, grupos, não importava. Só precisava de algo, alguém, para aliviar o fogo que a consumia por dentro. 

 

Foi então que uma sombra se moveu no beco. Não era humana. Escorria como tinta derramada, formando um vulto negro e brilhante. Kim sentiu um calafrio, mas não de medo—era tesão, puro e cru. 

 

— Glum, sussurrou a criatura, sua voz um eco viscoso. 

 

Antes que ela pudesse responder, a gosma negra a envolveu, penetrando-a por todos os lados. Sua buceta foi preenchida primeiro, depois seu cu, sua boca—todas as entradas invadidas por uma textura gelada que queimava como fogo. Glum não tinha forma fixa, então cada empurrão era uma nova surpresa, uma nova posição. Kim gritou quando a criatura a levantou no ar, enfiando nela com uma força que a fez ver estrelas. 

 

Gozo negro jorrava dentro dela, quente e espesso, até seu ventre começar a inchar visivelmente. Kim arqueava, babando, seus olhos revirando de prazer. A última coisa que ela sentiu foi uma explosão final dentro de seu útero antes de desmaiar, ainda tremendo de êxtase. 

 

Quando acordou, horas depois, sua barriga ainda estava quente e cheia. E Glum? Ele ainda estava lá, esperando pela próxima rodada.     


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