segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

São Paulo


               asfalto

moreno

teu suor

sobe liso

dos trilhos

cidade—exata

coxas de concreto

em fricção eterna

dos teus prédios

- me tocam

em pé

boca aberta beijos melancólicos de concretos

de luz

neon

me perco sem ti

entre teus braços

viadutos

és mulher sim és mulher trans sim que eu amo

sem noite:

insone quando acordo

teu ventre

ronca um beijo eterno

ônibus

desejo que seja eu e você

São Paulo,

 ferida de amor

e bela

eu que te vejo

te atravesso

ofegante 

f eliz !

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