O mar começava
onde o mapa falhava.
Não havia legenda
para aquele azul cansado,
apenas uma dobra no papel.
Viajava dormindo.
O barco avançava
como um pensamento lento,
medido por boias,
por aves que riscavam coordenadas falsas.
As ilhas surgiam
com a exatidão de um erro:
demasiado verdes,
demasiado imóveis,
como se tivessem sido deixadas ali
por engano.
O mar não prometia nada.
Organizava o sonho
em superfícies:
espuma, corrente, silêncio.
Havia cidades submersas —
não ruínas,
mas ruas inteiras funcionando,
sinos tocando sem som,
nomes próprios ainda legíveis.
Acordei quando o barco parou.
O mapa estava seco.
O mar, intacto.
E o mundo dos sonhos
continuava viajando
sem mim.
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