quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Gênese do Verme


Cosmogonía vil! Num espasmo de tédio, 

O Demiurgo, em sua síncope senil, 

Extraiu da mucosa o ranhudo excremento 

E moldou o orbe — este lodo febril.

O vácuo é um fânero, um trapo esburacado,

 E a saliva, em sua asfixia salina, 

Escorreu do escarro, em mar coagulado, 

P'ra o ventre da crosta que o verme domina.

Dos folículos mortos, na orgânica lida, 

Brotou o carvalho — célula expandida —

 E o bicho, esse bípede de hálito oco...

Deus, com a medula exausta, 

Dorme agora a inércia da carne nefasta, 

Enquanto o Infinito apodrece um pouco.

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