Cosmogonía vil! Num espasmo de tédio,
O Demiurgo, em sua síncope senil,
Extraiu da mucosa o ranhudo excremento
E moldou o orbe — este lodo febril.
O vácuo é um fânero, um trapo esburacado,
E a saliva, em sua asfixia salina,
Escorreu do escarro, em mar coagulado,
P'ra o ventre da crosta que o verme domina.
Dos folículos mortos, na orgânica lida,
Brotou o carvalho — célula expandida —
E o bicho, esse bípede de hálito oco...
Deus, com a medula exausta,
Dorme agora a inércia da carne nefasta,
Enquanto o Infinito apodrece um pouco.
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