segunda-feira, 24 de novembro de 2025

POEMA EM CHAMAS CONTRA O IMPÉRIO

em dedicatória a noam chimsky, o sábio!


o hipócrita, trump,

ergue as mãos manchadas de gás e lucro,

e olha para a áfrica

como quem examina um mapa

feito de veias abertas,

onde o sangue do povo

vira mercadoria.


quer invadir o país africano

pelo gás natural,

como se a terra fosse uma porta

que ele pudesse arrombar

com seus sapatos de ouro sujo;

quer invadir a colômbia

pelo petróleo que dorme

sob o peito quente da selva,

como se o mundo inteiro

lhe devesse obediência.


mas que os russos não deixem,

que se levantem como muralha de gelo

contra o fogo do império;

que o brasil não se sujeite,

não curve a espinha,

não venda sua alma

pelos trocados de um império velho,

cachorro de uma figa,

uivando ordens pela noite.


ah, américa minha,

não essa américa de fuzis,

mas a de poetas,

a de agricultores que guardam o sol nas mãos,

a de crianças que dormem sem fronteiras no coração —

essas sim, são dignas do continente.


e eu digo,

no canto mais alto da minha voz,

como diria o velho neruda

com sua língua de mar e pólvora:


nenhum império vencerá

a terra que desperta.


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