Machado! — cérebro pálido, caveira alerta,
Que dos abismos psíquicos da dor
Erguiste a frase lúcida e desperta
Como um verme que ri dentro da flor!
Na arcada dentária da ironia fria,
No maxilar da sátira macabra,
Tu extraíste do pus da hipocrisia
A pérola moral que nunca se desabra!
Teu verbo é ácido! — é saliva e tártaro!
É microscópio a examinar as almas,
Fazendo do cadáver literário
Um laboratório de sutis psalmas!
Na tua pena, a carne apodrecida
Do humano coração vil e mesquinho
Converteu-se em metáfora erguida,
Transfigurada em corvo no caminho!
És o poeta das vísceras da mente,
O biólogo da alma em seu desdém,
E no humor amargo, incandescente,
Ergueste o túmulo em que rimos também!
Machado! — sobre a tumba escancarada,
Teu nome jaz em pedra e eternidade,
Mas tua pena, pútrida e sagrada,
Ainda escreve em ossos a Verdade!
Nenhum comentário:
Postar um comentário