segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O amor impossivel

 A rosa ergueu-se na noite,

seu perfume era uma prece,

mas como poderia alcançar

a estrela azul que ardia além dos ventos?


O céu descia em silêncios,

o chão a prendia em raízes,

e ainda assim o coração da rosa

sabia dançar com o fogo distante.


A estrela, imóvel no infinito,

enviava luz como quem envia cartas,

cada raio um sussurro secreto,

cada centelha uma promessa impossível.


Entre elas, o abismo da distância,

entre elas, o destino que ri,

mas o amor não conhece abismos,

nem se curva ao riso do tempo.


Diz a rosa: “Se não posso tocar-te,

então queimar-me-ei de desejo.”

Responde a estrela: “Se não posso descer,

então brilharei só para ti.”


E assim vivem, apartadas,

uma no pólen, outra no cosmos,

mas unidas por uma corrente invisível

que nenhum céu, nenhuma terra, desfaz.


O impossível, afinal,

é apenas o disfarce do eterno,

pois rosa e estrela são a mesma chama,

acendida em dois mundos distintos.


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