A rosa ergueu-se na noite,
seu perfume era uma prece,
mas como poderia alcançar
a estrela azul que ardia além dos ventos?
O céu descia em silêncios,
o chão a prendia em raízes,
e ainda assim o coração da rosa
sabia dançar com o fogo distante.
A estrela, imóvel no infinito,
enviava luz como quem envia cartas,
cada raio um sussurro secreto,
cada centelha uma promessa impossível.
Entre elas, o abismo da distância,
entre elas, o destino que ri,
mas o amor não conhece abismos,
nem se curva ao riso do tempo.
Diz a rosa: “Se não posso tocar-te,
então queimar-me-ei de desejo.”
Responde a estrela: “Se não posso descer,
então brilharei só para ti.”
E assim vivem, apartadas,
uma no pólen, outra no cosmos,
mas unidas por uma corrente invisível
que nenhum céu, nenhuma terra, desfaz.
O impossível, afinal,
é apenas o disfarce do eterno,
pois rosa e estrela são a mesma chama,
acendida em dois mundos distintos.
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