Soneto ao Ânus
No centro vil da carne putrescente,
Abre-se o orbe escuro e intestinal,
Boca reversa, lúgubre, ancestral,
Do nada expele o ser que é já ausente!
Não há pudor — há pus! No subconsciente,
O ânus é portal abissal,
Que em gases vãos, num vômito fecal,
Confessa a morte lenta e persistente!
Ó flor do lodo! Fístula da espécie!
Misterioso olho que apodrece
E observa o mundo de trás pra frente!
És a metáfora da humana sorte:
Tudo que nasce, sonha, ama e se veste,
Um dia em ti termina — e vira Morte.
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