O leite da noite
(ao estilo de Neruda)
Amor,
teu corpo é uma fruta madura
que a noite colheu com desejo.
Tua pele — noite de ébano —
arde em minha língua como brasa e mel.
Entre teus seios escondo
meu rosto faminto de sal e de sombra,
tua carne se curva em poemas,
tua voz é um trovão de delírio.
Chupo-te como quem busca um milagre,
como quem bebe da terra o orvalho,
teus gemidos me são evangelhos,
e tua gozada, branca,
vem como se a lua tivesse
derramado um copo inteiro
em minha boca sedenta.
Ah, travessia bendita —
de falo e flor —
de potência e ternura,
tua alma é lâmina e véu.
Goza, meu amor, goza e renasce,
pois em ti descubro
que o prazer não tem gênero,
e o amor…
não pede licença.
Nenhum comentário:
Postar um comentário