Leite de Vênus
Te encontro na penumbra,
a pele negra como segredo antigo,
os lábios pintados de guerra
e de gozo prometido.
Teu corpo é altar e labareda,
é mistura sagrada:
cachos, curvas, cacete.
E eu, joelho no chão,
boca em missão.
Te mamo como quem reza,
língua cavando caminho,
mãos firmes nas tuas coxas
onde a força mora.
És mulher e trovão,
com porra de nuvem branca —
quase leite, quase luz.
Quente, espessa, divina,
salva-me a boca
com teu batismo espumante.
Goza, minha deusa,
goza inteira.
Teu prazer é protesto,
é canto, é poder.
E eu, teu devoto,
bebo sem culpa
até a última gota.
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