domingo, 1 de junho de 2025

kvetching

 "Então olha só a minha genética: meu pai é árabe-negro, minha mãe é judia alemã. Eu sou basicamente um conflito do Oriente Médio com um trauma do Holocausto, tudo dentro de um corpo com gastrite e ansiedade. Meus genes tão em guerra desde que nasci. A ONU já tentou negociar um cessar-fogo dentro do meu estômago.

Agora... meu pai é negro. Negro-árabe. Orgulhoso. Aquela presença. Aquela voz grossa. Aquele andar de quem sabe que tem algo a oferecer.
Aí eu olho pra mim no espelho e penso:
'Se ele é negro… POR QUE eu nasci com o pau de um violinista judeu de Berlim?!’

Me diz: que tipo de crueldade genética é essa? Meu pai me dá a pele, o nariz, o histórico de dança horrível... e o único estereótipo que não veio foi o que interessa!

Minha mãe ainda diz:
— ‘Olha, é do lado da minha família. Os homens eram todos mais… discretos.’
Discretos?! Eles eram judeus alemães, mãe! Eles viviam escondidos em porão por anos, é claro que eram discretos!

No fim das contas, minha herança é tipo uma comida fusion que ninguém conhece e que ninguém pediu:
shakshuka com gefilte fish… e um pepino murcho no meio."

Nenhum comentário:

Postar um comentário