domingo, 1 de junho de 2025

A Feiticeira Branca (Que É Jinn)

 A Feiticeira Branca (Que É Jinn)

(À  C.S. Lewis com carinho)

Não nasceu de mulher, nem da costela,
mas do desejo torto que inflama o nada;
não tem sangue: tem neve encantada,
e olhos que congelam a alma mais bela.

É Jinn — fogo oculto em forma singela,
que fala em canto, e prende com risada;
em sua boca, a doçura é espada,
e a palavra, veneno que se revela.

Não busca amor — quer reverência e medo,
pois sua alma é feita de artifício antigo.
Promete o paraíso em branco arredo,
mas só entrega abismo em tom amigo.

Coroa de gelo, trono de impiedade,
a todos fascina, e ninguém a entende.
Não é mulher — é antiga falsidade
que finge dar, mas tudo prende e vende.

Beija sem dor — depois exige preço,
sorri ao tolo, e quebra quem resiste.
Sopra promessas no mais breve apreço,
e apaga o nome de quem mais insiste.

Julgam-na bela: é apenas vazia.
Julgam-na justa: é apenas castigo.
Quem nela crê, por dentro apodrecia —
a alma apaga e ainda diz: “obrigado, amigo”.

Oh raça antiga, fogo sem fumaça,
o homem nada é frente à tua malícia.
Acha que reina, e és tu quem o desgraça,
com neve, doce, e lenta feitiçaria.

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