segunda-feira, 9 de julho de 2018

Morar diante do mar


Morar diante
do mar.
Sim, diante
das águas
que pulsa,
que dançam, que
são sal que são algas.
Morar diante do mar,
porque sou marinho.
Deus, tua gaiola de
terra me aflige o peito.
Deixa-me conversar
com as morenas sirenas
que voam através do vento,
do vento que vem do mar,
do vento que é o mar,
ou parte do mar, sei lá.
E que mar.
Se vê da janela? 
Não. Temos que
andar pela estrada
cheia de terra e entrar
numa ponte cheia de
pessoas (pessoas essas
que nem sei o nome/
podem ser antonio francisca
mariana ou pedro, não os
conheço mais nos vemos
porque todos querem o salgado
mar). 
E eu, desejoso de morar diante
do mar me ponho a cantar sem ritmo
sem pressa, sem estrofes, sem nada,
nem medidas porque não sou poeta e sou poeta
por maldição. O mar gargalharia com essas
minhas piadas de improvisação.
Aqui eu não sou feliz.
Sei o mar não se pode respirar.
Não se pode ter a salinidade das
coisas que vem com esse navio
que anda pelas ondas com sua
voz de ferro e camaradagem estrangeira.
O mar não deixa ninguém nos invadir,
por isso morar diante do mar.
Fazei casas nos rochedos,
que irão tombar para o fundo do mar,
fazei casas nas praias,
que irão encarar a voz das águas mudas.
Ai, de mim, que sou marinho, sangue e pulso,
e meu nariz sugere água (não dos rios,
não, as águas dos rios me dão frio),
e sim as águas quentes do mar, do pulso mar.
Sim,
morar diante do mar.

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